Mostrando postagens com marcador Ultima. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Ultima. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Cap. 1 - Conhecendo Ultima-sama.

Era irônico ver meu pai sentado esperando por uma mulher, justo ele que que reclamava toda vez que tinha de esperar. Claro que Cross nunca fora pontual, isso jamais ocorreu em toda sua existência, no entanto ele odiava esperar, fato que me deixou confusa ja que pela primeira vez ele não reclamou e estava no horário.

- Ela é tão importante assim? - O questionei ainda emburrada.

- É sua tia Sakura, ela quem vai cuidar de ti a partir de agora.

- Sabe que eu não desejo ficar com ela, não sabe? - Falávamos em um tom ameno, mesmo com clima de tensão que nos rodeava.

- Você não tem opinião, é muito nova pra isso. - Cross parecia um idiota apaixonado.

- Eu sempre tive... Você só não quer me escutar agora.

Não sei de onde, quando ou como aquela mulher surgiu ao lado do meu pai rindo melodiosamente, com os lábios próximo a orelha de meu pai. Com a mão ela se apoiava em seu ombro, formavam um belo casal... E até poderiam se tornar, mas não eram um casal e se dependesse de mim jamais viriam a ser.

- Sua filha é mesmo um encanto meu irmão. Tens certeza de quer que eu cuide dela? - A voz de Ultima se tornou marcante, ela poderia parecer doce e encantadora com suas curvas sinuosas, pele clara, olhos dourados que reluziam maldade (sabia disso por conhecer bem aquele brilho no olhar) e cabelos brancos longos que emolduravam sua face.

- Vai ser melhor para Sakura ficar com você Ultima-san, seria melhor se eu também pudesse ficar ao teu lado, mas prefere aquele bastardo. - Cross me ignorava veementemente, ali eu era apenas uma espectadora.

- Não fale assim dele querido, eu gosto dele. - As palavras proferidas por Ultima eram doces, mas ainda sim transbordavam a maldade que mais tarde eu viria a descobrir. - E sabe bem que por ser-mos irmãos não podemos ficar juntos... Até porque tens uma filha.

- Você tem varias filhas Ultima-chan. - Ele pigarreou e logo voltou a falar. - A Minha não seria um problema para ti.

Estava enojada de como se portavam, apesar de ser uma criança na época sabia onde dois adultos podiam chegar e tinha um pai completamente pervertido com varias mulheres atrás dele (querendo mata-lo) que provavam isso.

- Ela tem o nome da minha hime. - Ultima sentou-se ao colo de Cross. Aquilo definitivamente não tinha como ficar pior. - Mas vamos parar de falar nisso Otooto (irmão mais novo), quero conhecer logo a sua flor.

- Sakura. - Meu sangue gelou quando meu pai proferiu meu nome, seu tom era pesado o que me trazia lembranças desagradáveis. Depois de um longo suspiro me aproximei - Esta é sua tia, sensei e por hora também sua mãe Ultima Ikari.

- Olá querida. - Um sorriso falso brincou nos lábios dela, mostrando o quão difícil nossa convivência seria.

- Yo. - Nem mais nem menos, falei desprovida de qualquer emoção fazendo ela rir.

- Me parece ser uma garotinha comportada Sakura-chan. - Ultima falava tão tranquila, não sei como meu corpo podia estar tão tenso.

- Não gosto que usem o -chan comigo, senhora. - Dei uma ênfase desnecessária a palavra senhora, se era pra jogar que o jogo ao menos fosse interessante, ou como meu pai diria eu tinha surtos suicidas.

- Senhora? - Ultima ergueu a sobrancelha direita levantando do colo de Cross. - Acha que eu sou uma velha criança?

- Se esta dizendo isso, eu devo concordar.. Não é mesmo senhora? - Cross me encarava atônito, acho que ele já esperava minha morte ou que fosse torturada, já que minhas palavras eram de puro desdém.

Caminhando calma e sorridente a mulher se aproximou e ao contrario do que esperava acariciou meus cabelos.

- Ela tem a língua afiada e a sua tola coragem irmão. - E novamente eu fui jogava para segundo plano. - Mas a beleza é da mãe.

- Sei de tudo isso que está me dizendo Ultima-chan... Eu a criei por cinco anos e ensinei tudo que ela sabe até agora...

- Só não lhe deu educação e respeito para com o oponente, tornou-a convencida como você. - Ela o interrompeu e em um movimento leve com a perna me fez voar contra uma pequena rocha próxima. - Nunca mais me chame de senhora querida, a menos que queira ter uma punição a altura de seu desacato.

Cross se manteve sentado, imóvel, enquanto Ultima me dava a primeira das muitas lições que aprenderia ao seu lado a partir daquele dia. Não sei exatamente porque mas o fato dele não ter feito nada para impedi-la me deixou angustiada, jamais outra pessoa chegaria perto o suficiente a ponto de me chutar sem que ele não o desmembrasse ou mata-se antes. No entanto Ultima o dominava e passaria a me dominar também. Tão calma e serena como veio até mim, retornou ao colo de meu pai onde foi prontamente recebida.

- Levante-se filha. - Não haviam emoções em sua voz.

Com alguma dificuldade lembro ter me levantado e erguido a cabeça, nem de longe os treinos ao lado de Cross eram tão... Doloridos, talvez e só talvez ele tivesse razão em me deixar com minha tia.

- Muito bem - Um sorriso de orgulho se abriu nos lábios de Cross assim que me coloquei de pé. - Essa é a minha hime.

- Himes não lutam papai. - Respondi desprovida de qualquer emoção.

- A minha ainda não luta, mas logo vais aprender a lutar e será tão forte quando seu pai.

- Claro. - Soltei um suspiro pesaroso, se ele queria assim. Assim seria.

- Muito bem, já tenho de ir.. Sakura-chan deve estar chorando em casa, dando trabalho pra Rinoa-chan e com as filhas que tenho não é bom deixar o clã por muito tempo.

- Compreendo. - Meu pai riu, parecia conhecer minhas primas. - Quando nos veremos de novo?

- Quando sua filha estiver pronta para encarar o mundo sozinha Cross, afinal era esse o seu plano, não era?

- De fato, se prefere assim... Até logo minha filha. - Ultima saiu do colo musculoso de meu pai e este veio em minha direção, sorrindo. - Obedeça Ultima-chan e comporte-se, esta bem? - Seu pedido veio junto ao um beijo cândido em minha testa. - Aishiteru Hime-chan. - Depois disso Cross afagou minha cabeça e partiu.

Chorar era algo que em meu mundo crianças não podiam fazer, no entanto naquele dia, vendo meu pai partir eu chorei e quebrei a primeira regra que ele me ensinará . Jamais chorar.

Ultima se aproximou novamente e estendeu a mão sorrindo, eu queria passar mais tempo lá olhando o caminho que meu pai percorrerá minutos antes de sumir do meu campo de visão, mais isso não adiantaria de nada, ele não retornaria para me buscar.

- Vamos? - ela também olhava o caminho que Cross tinha percorrido.

Meneei um sim, agora que pertencia a Ultima-sama o mais sensato a fazer era seguir com ela e ver o que meu futuro me guardava.